Uma vida não tem preço contudo, o custo médio de uma cirurgia cardíaca a
coração aberto, a nível internacional é de USD 20.000,00. Num país em
desenvolvimento, como Moçambique, onde existem numerosos doentes do coração e,
onde infelizmente o assunto não é prioritário, por ser um país seriamente afetado pelo vírus do VIH/SIDA ou pela Tuberculose e, onde a população se
encontra em estado de pobreza absoluta, os doentes do coração não têm
possibilidade de se fazer tratar e, se necessário, operar, com especial incidência
nas crianças.
O ICOR (Instituto do Coração) é o único centro em Moçambique dedicado ao
Coração e às doenças negligenciadas do mesmo, e que desde 2001 começou a tomar
uma especial atenção às crianças vulneráveis vindas das zonas rurais do país,
doentes e com problemas cardíacos fatais, tendo começado a operar missões
patrocinadas e organizadas em colaboração com as Organizações
não governamentais: Chaine de l’Espoir,
a Chain of Hope e a Cadeia da Esperança. Em conjunto têm
como missão tratar as crianças doentes do coração, de forma gratuita,
nomeadamente as crianças que sofrem de Fibrose Endomiocárdica e que se
encontram em fase grave da doença e, maioritariamente em fase quase terminal.
Desde 2001 foram operadas a coração aberto 670 crianças de forma completamente
gratuita.
Contudo, este trabalho não pode contemplar
simplesmente a operação, pois este tipo de casos clínicos necessitam de um
acompanhamento cuidado, algo que estas crianças não conseguem ter acesso nos
seus meios rurais e no seio das suas famílias, quando as têm, afetadas por níveis
de pobreza incrível e incapazes de proporcionar-lhes, além dos cuidados médicos, uma alimentação cuidada e muitas vezes um simples telhado ou as mínimas
condições básicas. Estas missões proporcionam melhores perspetivas de vida a
essas crianças, mas torna-se necessário um acompanhamento posterior da situação
única de cada uma.
A Ordem de Malta Moçambique decidiu então apoiar e
ajudar estas missões. Em colaboração com o ICOR e com as Irmãs Salesianas, encontra-se
a efetuar um levantamento das crianças mais necessitadas, para que se possa,
de forma casuística, prestar o apoio complementar a estas crianças. Cada Criança
terá a “sua” Irmã que estará encarregue de, mensalmente, supervisionar a criança,
a sua condição familiar, escolar, alimentar e de saúde. Desta forma poderemos
rapidamente entender como melhor ajudar cada caso. Temos, portanto, como objetivo este apoio complementar e imprescindível a estes casos dramáticos,
possibilitando que estas crianças tenham uma vida mais normal e possibilitando
que o ICOR continue, através deste acompanhamento, a observar regularmente e
sempre que necessário as condições de saúde das mesmas.